24/07/2005 11:29
Ser mulher ao longo dos séculos tem ganhado cada vez mais significados. Mas será que esses significados foram de fato superados pela modernidade?
Será que já se superou o estigma da mulher serpente, responsável pela expulsão do paraíso? As mulheres ainda se sentem e são culpadas pelo outro ao sofrerem alguma violência. Se sofreu abuso sexual: facilitou, provoucou...
Será que já se superou o estigma da mulher como homem incompleto, ou como ser incompleto feito de uma costela? Leituras equivocadas do movimento feminista ao invés de lutarem por equivalência de direitos, lutam para serem homens, lutam por direitos que de longe são o que fazem dos homens seres "superiores"...
Para superar a mulher Amélia, muitas vezes, busca-se a conversão em uma Barbie de faz-de-conta. Acredita-se que a felicidade só pode estar no extremo oposto de Amélia: abandono total de tudo que possa de longe lembrar submissão. E para isso nos tornamos escravas, sim, mas da moda, da aparência, do botox e perdemos nossas expressões...
Vamos trocando estigmas por caminhos tortos. E nem sei se realmente trocamos, apenas fazemos um aglomerado de identidades, que se fundem, brigam entre si e nessa confusão não refletimos sobre a escravidão velada que continuamos a perpetuar.
Nossos filhos serão machistas enquanto nós brincarmos de ser Barbies ou simplesmente reproduzirmos a Amélia. Será impossível uma conjunção? Será impossível sermos nós mesmas, seguindo o que pode realmente nos fazer felizes, independente do que digam os outdors, as manchetes, a vizinha e o peão da obra?
Sim, o que sou não independe do meio em que vivo. Mas não preciso ser exatamente o que querem que eu seja. Posso refletir, posso questionar. E no final, se decidir adotar velhos papéis, isso será fruto de uma decisão e não de uma imposição.
Mesmo que nos imponham imagens e opiniões, podemos ainda pensar. Mesmo que nossos pensamentos sejam ainda repletos de preconceitos é exercitando o questionar que podemos um dia chegar a vencer barrreiras.
enviada por jullye
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