10/08/2005 09:23
... A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.
(Do poema: Eu sei mas não devia Marina Colassanti)
Por vezes nos pegamos repetindo velhas frases, posturas rígidas, revelando opiniões, agindo de maneira que nem sabemos o porquê... Simplesmente fazemos, pensamos e falamos... Sem maiores questionamentos...
Conceitos que se impõem, armaduras que se endurecem, rótulos que pregamos e no final das contas nem lembramos bem porque deixamos de conversar com aquela pessoa, porque damos meio-sorrisos, porque evitamos tocar em determinado assunto, porque sempre esperamos as coisas explodirem para expor nossos sentimentos. Máscaras, armaduras com as quais nos acostumamos e que achamos que podem nos proteger... Se uma postura deu certo alguma vez, evitou algum conflito, nos fez ficar invisíveis ao que acreditávamos ser um perigo, pronto: repetimos automaticamente, por vezes, até a vida inteira. E não nos perguntamos se aquilo dará certo, e se não der certo, não ousamos investir em outra maneira de resolver as coisas, afinal, podemos nos machucar.
E mesmo que com o tempo a máscara nos sufoque e a armadura pareça apertada demais para comportar nossos medos e nossos sonhos, mesmo que os rótulos já pareçam sem sentido, mesmo que nossas velhas fórmulas pareçam já não surtir o efeito desejado... Insistimos em trilhar o caminho já conhecido, porque tentar novas fórmulas parece arriscado, trabalhoso, e posso até parecer maluco, ridículo ou estranhamente eu mesmo! Ops!!! Eu mesmo???
A verdade é que de tanto poupar a vida, vamos perdendo vivências importantes, vamos perdendo a nós mesmos.. Esquecemos que nessa conta não há como poupar, porque o tempo real é aquele que se vive, não se pode guardar o que não foi vivido. Esquecemos também que se queremos mudar nossa vida, precisamos agir de maneiras diferentes, caso contrário obteremos resultados rígidos, fixos, sem mudanças. Velhas fórmulas, velhas máscaras, velhas armaduras... Que podem ter sido úteis um dia, mas que hoje nos roubam a liberdade, a espontaneidade e a oportunidade de alcançarmos a nós mesmos.

enviada por jullye
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